quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Saudades

Saudades

 Some like it hot!

vi com a Mãe, no cinema... era um dos filmes que ela mais gostava
hj com a morte do Tony Curtis, lembrei daquele dia
e este é, para mim, um dos melhores diálogos do cinema, ainda mais considerando a época em que foi filmado - 1959 - Jack Lemmon e Joe E. Brown:

Jerry: Oh no you don't! Osgood, I'm gonna level with you. We can't get married at all.
Osgod: Why not?
Jerry:
I smoke! I smoke all the time!
Osgood
: I don't care.
Jerry
: Well, I have a terrible past. For three years now, I've been living with a saxophone player.
Osgood: I forgive you.
Jerry
: [Tragically] I can never have children!
Osgood: We can adopt some.
Jerry: But you don't understand, Osgood!
[Pulls of wig]
Jerry: I'm a man!
Osgood
: Well, nobody's perfect!

sábado, 14 de agosto de 2010

Both sides now

Both Sides Now

Rows and flows of angel hair
And ice cream castles in the air
And feather canyons everywhere
I've looked at clouds that way

But now they only block the sun
They rain and snow on everyone
So many things I would have done
But clouds got in my way

I've looked at clouds from both sides now
From up and down, and still somehow
It's cloud illusions I recall
I really don't know clouds at all

Moons and Junes and Ferris wheels
The dizzy dancing way you feel
As ev'ry fairy tale comes real
I've looked at love that way

But now it's just another show
You leave 'em laughing when you go
And if you care, don't let them know
Don't give yourself away

I've looked at love from both sides now
From give and take, and still somehow
It's love's illusions I recall
I really don't know love at all

Tears and fears and feeling proud
To say "I love you" right out loud
Dreams and schemes and circus crowds
I've looked at life that way

But now old friends are acting strange
They shake their heads, they say I've changed
Well something's lost, but something's gained
In living every day

I've looked at life from both sides now
From win and lose and still somehow
It's life's illusions I recall
I really don't know life at all

I've looked at life from both sides now
From up and down, and still somehow
It's life's illusions I recall
I really don't know life at all

joni mitchell

segunda-feira, 7 de junho de 2010

The Tiger

1757-1827

TIGER, tiger, burning bright
In the forests of the night,
What immortal hand or eye
Could frame thy fearful symmetry?

In what distant deeps or skies

Burnt the fire of thine eyes?
On what wings dare he aspire?
What the hand dare seize the fire?

And what shoulder and what art

Could twist the sinews of thy heart?
And when thy heart began to beat,
What dread hand and what dread feet?

What the hammer? what the chain?

In what furnace was thy brain?
What the anvil? What dread grasp
Dare its deadly terrors clasp?

When the stars threw down their spears,

And water'd heaven with their tears,
Did He smile His work to see?
Did He who made the lamb make thee?

Tiger, tiger, burning bright

In the forests of the night,
What immortal hand or eye
Dare frame thy fearful symmetry?

domingo, 6 de junho de 2010

calma aí!

Fazer lista acalma meus demônios..

Presentes especiais (não estão em ordem alguma que não seja minha memória enganosa)
1. Mudinhas de alface, deixadas lá em casa há muuuuitos anos atrás pelo Jorge B.
2. Pingente do saci, lindo, lindo que ganhei do Fernando no aniversário deste ano
3. Livro dos gatos, que a Margane mimosa me deu de lembrança quando saí do CAPS
4. Livro com gatos, em inglês que a Adri me mandou de BH e chegou muito depois do que ela imaginava
5. Broche de girafinhas, esmaltado, vindo de quem nunca tinha me dado esperança de afeto
6. Cartão do Will e da Sophia, com palavras amorosas de filhos amorosos
7. Anel dos signos que eu mesminha me dei...

Acalmaram-se, malditos?

sábado, 3 de abril de 2010

Decepção

Não, não é tão bom assim... Falo do mundo, este em que vivemos, tu, eu, nós, vós, ele - o gato e eles - os vizinhos...
Pois um dia, no passado, escrevi q se as pessoas fossem como o gato, o mundo seria um lugar melhor. Reafirmo o que disse, entristecida...
A síndica já se foi e está morando no Paraíso, suponho que cheio de gatos amorosos e cães faceiros, que lhe prestam reconhecimento agradecido. O sub-síndico mudou-se para outro prédio. Tomaram-lhes o lugar uns seres sérios e sisudos, politizados, mas menos humanos. Os anteriores administradores deste edifício viam no gato um ponto de união, aceitando-o com sua presença quieta, mas notada. Convidavam o bichano para visitá-los, inclusive. Já alguns vizinhos, inclusive os pais de uns monstrinhos mal-educados, compartilham com os seus filhotes de duas patas e com outros tantos moradores, a ojeriza ao animal...
Esperam que, após sete anos de liberdade, o Calvin seja confinado ao apartamento de onde, segundo eles, nunca deveria ter saído. Será que sabem que refazer os hábitos de um bichinho é tão difícil quanto educar crianças? Eles, que não conseguem civilizar seus filhos, desejam que, de um hora para outra, o gato deixe de frequentar a portaria do edifício  e de circular livremente sozinho... Claro que de coleira e cordinha não poderão impedir-nos de passear, como fazem os donos dos cães...
Já iniciamos, consternados, o processo irreversível e canhestro de reeducação exigido pela civilidade - não que eu seja muito civilizada! não, sou bem neanderthalesca, como sabem aqueles que me conhecem...
Mas o que fazer em relação às gentes com quem convivemos?
Já sei! vamos nos mudar, que só a distância destes seres vai aliviar nossos corações... É de uma casa que precisamos, o gato e nós, já que um outro maluco da vizinhança também resolveu se preocupar com os trabalhos manuais do Fernando...
O epitáfio deste edifício, se edifícios o tivessem, seria: "Aqui jaz um lugar que já foi repleto de humanidade e alegria. Morreu de casmurrice aguda, afogado em seu próprio fel! Descanse em paz."

Era uma vez...
Lili across the universe: Um lugar

quinta-feira, 25 de março de 2010

Ultimatum

Alvaro de Campos

Mandado de despejo aos mandarins da Europa! Fora.
         Fora tu, Anatole-France, Epicuro de farmacopeia-homeopática, ténia-Jaurès do Ancien-Régime, salada de Renan-Flaubert em louça do século dezassete, falsificada!
         Fora tu, Maurice-Barrès, feminista da Acção, Chateaubriand de paredes nuas, alcoviteiro de palco da pátria de cartaz, bolor da Lorena, algibebe dos mortos dos outros, vestindo do seu comércio!
         Fora tu, Bourget das almas, lamparineiro das partículas alheias, psicólogo de tampa de brasão, reles snob plebeu, sublinhando a régua de lascas os mandamentos da lei da Igreja!
         Fora tu, mercadoria Kipling, homem-prático do verso, imperialista das sucatas, épico para Majuba e Colenso, Empire-Day do calão das fardas, tramp-steamer da baixa imortalidade!
         Fora! Fora!
         Fora tu, George-Bernard-Shaw, vegetariano do paradoxo, charlatão da sinceridade, tumor frio do ibsenismo, arranjista da intelectualidade inesperada, Kilkenny-Cat de ti próprio, Irish-Melody calvinista com letra da Origem-das-Espécies!
         Fora tu, H. G. Wells, ideativo de gesso, saca-rolhas de papelão para a garrafa da Complexidade!
         Fora tu, G. K. Chesterton, cristianismo para uso de prestidigitadores, barril de cerveja ao pé do altar, adiposidade da dialéctica cockney com o horror ao sabão influindo na limpeza dos raciocínios!
         Fora tu, Yeats da céltica-bruma à roda de poste sem indicações, saco de podres que veio à praia do naufrágio do simbolismo inglês!
         Fora! Fora!
         Fora tu, Rapagnetta-Annunzio, banalidade em caracteres gregos, «D. Juan em Pathmos» (solo de trombone)!
         E tu, Maeterlinck, fogão do Mistério apagado!
         E tu Loti, sopa salgada fria!
         E finalmente tu, Rostand-tand-tand-tand-tand-tand-tand-tand!
         Fora! Fora! Fora!
         E se houver outros que faltem, procurem-nos por aí pra um canto!
         Tirem isso tudo da minha frente!
         Fora com isso tudo! Fora!

Ai! que fazes tu na celebridade, Guilherme-Segundo da Alemanha, canhoto maneta do braço esquerdo, Bismarck sem tampa a estorvar o lume?!
         Quem és tu, tu da juba socialista, David-Lloyd-George, bobo de barrete frígio feito de Union Jacks?!
         E tu, Venizelos, fatia de Péricles com manteiga, caída no chão de manteiga para baixo?
         E tu, qualquer outro, todos os outros, açorda Briand-Dato. Boselli da incompetência ante os factos todos os estadistas pão-de-guerra que datam de muito antes da guerra! Todos! todos! todos! Lixo, cisco, choldra provinciana, safardanagem intelectual!
         E todos os chefes de estado, incompetentes ao léu, barris de lixo virados para baixo à porta da Insuficiência da Época!
         Tirem isso tudo da minha frente!
         Arranjem feixes de palha e ponham-nos a fingir gente que seja outra!
         Tudo daqui para fora! Tudo daqui para fora!
         Ultimatum a eles todos, e a todos os outros que sejam como eles todos!
         Senão querem sair, fiquem e lavem-se.

Falência geral de tudo por causa de todos!
         Falência geral de todos por causa de tudo!
         Falência dos povos e dos destinos — falência total!
         Desfile das nações para o meu Desprezo!
         Tu, ambição italiana, cão de colo chamado César!
         Tu, «esforço francês», galo depenado com a pele pintada de penas! (Não lhe dêem muita corda senão parte-se!)
         Tu, organização britânica, com Kitchener no fundo do mar mesmo desde o princípio da guerra!
         (It 's a long, long way to Tipperary and a jolly sight longer way to Berlin!)
         Tu, cultura alemã, Esparta podre com azeite de cristismo e vinagre de nietzschização, colmeia de lata, transbordamento imperialóide de servilismo engatado!
         Tu, Áustria-súbdita, mistura de sub-raças, batente de porta tipo K!
         Tu, Von Bélgica, heróica à força, limpa a mão à parede que foste!
         Tu, escravatura russa, Europa de malaios, libertação de mola desoprimida porque se partiu!
         Tu, «imperialismo» espanhol, salero em política, com toureiros de sambenito nas almas ao voltar da esquina e qualidades guerreiras enterradas em Marrocos!
         Tu, Estados Unidos da América, síntese-bastardia da baixa-Europa, alho da açorda transatlântica nasal do modernismo inestético!
         E tu, Portugal-centavos, resto da Monarquia a apodrecer República, extrema-unção-enxovalho da Desgraça, colaboração artificial na guerra com vergonhas naturais em África!
         E tu, Brasil, «república irmã», blague de Pedro-Álvares-Cabral, que nem te queria descobrir!
         Ponham-me um pano por cima de tudo isso!
         Fechem-me isso à chave e deitem a chave fora!
         Onde estão os antigos, as forças, os homens, os guias, os guardas?
         Vão aos cemitérios, que hoje são só nomes nas lápides!
         Agora a filosofia é o ter morrido Fouillée!
         Agora a arte é o ter ficado Rodin!
         Agora a literatura é Barrès significar!
         Agora a crítica é haver bestas que não chamam besta ao Bourget!
         Agora a política é a degeneração gordurosa da organização da incompetência!
         Agora a religião é o catolicismo militante dos taberneiros da fé, o entusiasmo cozinha-francesa dos Maurras de razão-descascada, é a espectaculite dos pragmatistas cristãos, dos intuicionistas católicos, dos ritualistas nirvânicos, angariadores de anúncios para Deus!
         Agora é a guerra, jogo do empurra do lado de cá e jogo de porta do lado de lá!
         Sufoco de ter só isto à minha volta!
         Deixem-me respirar!
         Abram todas as janelas!
         Abram mais janelas do que todas as janelas que há no mundo!